quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

O Natal é nosso!


Certamente já devem ter visto esta bandeirinha em algumas janelas deste nosso Portugal.

A primeira que vi uma, um dos meus amigos disse que era tipo uma campanha da Igreja Católica com o mote: "O NATAL É NOSSO!".

Não há dúvida que o Natal é uma celebração especial para todos os cristãos: nessa data celebra-se o nascimento do filho de Deus que se fez homem para nos salvar.

Mas se assim é, que celebram todos aqueles que não acreditam em Jesus Cristo?

Não deixa de ser engraçado vermos os ateus e outros não-crentes embuídos em espírito natalício a enviar mensagens de Boas Festas, a decorarem as casas com presépios e Pais Natal (sim, que se a imagem foi criada pela Coca-Cola, a sua origem deriva de um santo - São Nicolau), etc.

E as prendas, que raio de cena é essa? Quem é que foi que teve a ideia de entupir as pessoas de prendas, criando uma obrigação de se dar alguma coisa à família, amigos?

- Alguém se lembra que quem faz anos? E que prenda damos a Ele?

O espírito natalício (versão comercial) é de tal maneira forte que até se paga um subsídio de Natal aos trabalhadores, ou seja, tomem lá um salário para gastarem tudo em prendas para oferecerem no Natal!

- Alguém se lembra que quem faz anos? E que prenda damos a Ele?

A tradicional Missa do Galo, que inicia às 00h00 do dia 25, já começou a ser num horário diferente para que as famílias possam trocar prendas à meia-noite!


- Alguém se lembra que quem faz anos? E que prenda damos a Ele?

Peço desculpa, mas acho que deveria a própria Igreja pedir ao Estado que retirasse o Natal do lote de feriados nacionais - a banalização da celebração está a atingir proporções tais que qualquer dia ninguém se lembra de quem faz anos e, por isso, não lhe dá nenhuma prenda!

Para todos os que acreditam, um Santo Natal!

1 comentário:

  1. Querido Pai Natal,
    Começo por lhe dizer que me portei muito bem durante o ano. Deixei as fraldas e aprendi o destino dos meus dejectos pelo que pode testemunhar, por intermédio de nosso senhor que vê tudo, que não mais fiz xixi nem cocó (mesmo que continue a mijar e o resto) fora do penico.
    Este Natal quero que faça com que os senhores do mundo, do poder e do dinheiro, se entendam de uma vez por todas com os senhores do gueto, da impotência e da miséria. Quero que os da paz se entendam com os da guerra. Que os ateus se amiguem com os católicos. Imploro-te que o filho do pobre tenha as mesmas possibilidades que o dos gorduchos lá da Quinta de Sintra para que todos tenham as mesmas possibilidades no futuro, no intelecto e na barriga. Se o filho do abastado for ligeiramente menos esperto diga que não se preocupe e fale em seu nome com o filho da Raimunda para que não lhe salte por cima nem para cima de qualquer maneira, qualquer dia. Garanta-lhe que aquilo é gente de palavra. Se o elegerem, como elegeram Salvador, talvez até o leve para a Defesa, como foi o Pinochet e jure, desta vez prometa mesmo, que não chama a cavalaria que da outra vez ele ficou melindrado… Peça aos que têm muitas casas para se livrarem das muitas e se eles o aceitarem calminhos deixe-os ficar com aquela onde trabalham e aquela onde viviam nos tempos da meninice. Mas têm que dar todas as outras que sobram. Diga-lhes que não dói nada… lembre-os que até costumam dar sangue todo santo Agosto, para lá das fartas dúzias de rifas que sempre compram na quermesse da paróquia. Já que vai estar com eles diga-lhes que quando os convocam para a guerra não alinhem, duvidem, e acima de tudo, não paguem… que as guerras justas fazem-se sem balas, sem mecenas e a dar sempre, sempre o outro lado da cara. Enfim, convide-os a não lucrem com a vida dos outros e que não exorbitem, não exorbitem, não exorbitem.
    Já aos pobres peça-lhes que tenham paciência. Falta-lhes tanta paciência meu querido Pai Natal. Diga que anda a ver se fala com os ricos para que tudo se resolva. Ai… fico mesmo tão triste de saber que eles andam sempre assim zangados. Se estiverem com fome que roam as unhas, se estiverem a agonizar que pensem noutra coisa… Tudo menos aqueles desvarios e ideias criminosas. Se lhes falta saúde, que durmam ou que bebam um chazinho. Se lhe falta a saúde aos filhos lembre-os que os que a doença leva podem sempre fazer outros quantos tantos mais. Se estiverem com medo que a tropa lhes entre pela casa adentro armados até aos dentes convença-os a respirar fundo e a receber bem os pastores da segurança e o rebanho da ordem. Diga para não andarem para ai a dizer que viram algo de estranho e que nunca, mas nunca façam comentários. O melhor mesmo, para evitarem as arrelias com que têm andado, é o Pai Natal ensina-los a estarem calados e quietinhos para que percebam que essa é a melhor maneira de precisar de muito menos comida. O que lhes sobrar em raiva e apoquento cure-o com morfina. Como são boa gente diga para responderem com charme à violência e demonstrem que mesmo os pobres sabem ter nível. Se for palestino, afegão ou do Iraque, se foi vietnamita, boliviano ou das párias nações africanas… que se acalmem e acreditem quando lhes dizem que a sua vida é papa. Os que lhe parecem tiranos na verdade são seus amigos, e inimigos são os que o incitam à revolta. Meta-lhes na cabeça de uma vez por todas que se lhes batem é porque os amam e ensines-lhe que o amor não se desdenha, respiga-se. Se o filho do seu vizinho rico virou patrão dos seus mais espertos não se aflijam… as coisas são como são e os ricos mesmo quando estúpidos são bons samaritanos. Se o salário for mau, que não se queixem, que afinal ainda chega para os baptizados, as consoadas e os velórios. Se o salário não existe que não se incomodem, ainda podem vir a ter jeito para pedintes e mesmo que morram mais cedo ao menos morrerão menos cansados e por certo mais bonitos.

    Um grande chi-coração deste teu muy crente revolucionário pacifista

    asta la vista siempre
    vasco luz

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